Esposa planeja assassinato de idoso acamado com ajuda de amante no Paraná e tenta simular latrocínio, diz polícia
24/08/2026
(Foto: Reprodução) Justiça nega pedido de soltura de três presos pela morte de idoso em Bandeirantes
Um idoso foi morto com um tiro em Bandeirantes, no Norte do Paraná. Ele, que estava deitado na cama e usando fraldas, foi identificado como José Teixeira da Silva, de 77 anos.
A Polícia Civil (PC-PR) informou que, inicialmente, o caso foi tratado como latrocínio — roubo seguido de morte. Entretanto, a investigação apurou tratar-se de um homicídio planejado pela esposa da vítima, com a ajuda do amante dela e com o conhecimento da filha.
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Valquíria Sandoval (esposa), Anderson Justino Estevão (amante de Valquíria) e Amanda Sandoval Teixeira da Silva (filha) foram presos em flagrante. A defesa dos três disse não ser possível "tratar como definitivas as conclusões apresentadas até o momento". Leia a nota na íntegra ao final.
Da esquerda para a direita, Valquíria, Anderson e Amanda.
Reprodução
Quando José foi encontrado morto em cima da cama, no início da madrugada de sábado (21), Valquíria disse à Polícia Militar (PM-PR) que o crime havia sido cometido por dois homens desconhecidos, durante uma invasão e um roubo à casa. Porém, a polícia encontrou contradições nesta versão apresentada pela esposa.
Os policiais apuraram as informações, analisaram o celular de Valquíria e chegaram à conclusão de que ela havia pedido para que Anderson — com quem tinha um relacionamento extraconjugal — matasse José.
Conforme o delegado Michel Araújo, ela admitiu o crime somente no segundo depoimento prestado, quando também disse que a motivação foi José ter se negado a pagar um tratamento de saúde para a filha, mesmo possuindo o dinheiro necessário.
"Confrontada com o conteúdo do aparelho celular, com as contradições que ela tinha apresentado, ela confessou. Confessou a autoria dos fatos, juntamente com o Anderson Justino Estevão, que seria o amante dela", o delegado explicou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
José Teixeira da Silva, de 77 anos.
Reprodução
Neste contexto, a polícia também confirmou que Amanda foi avisada pela mãe de que o pai seria assassinado. Mesmo assim, a filha não impediu Valquíria de planejar e cometer o crime.
Nesta segunda-feira (23), a Justiça negou o pedido de liberdade dos três suspeitos, que estão presos preventivamente por homicídio qualificado.
A polícia apreendeu três celulares, um revólver e dinheiro. Em sete pontos, confira mais detalhes da investigação do caso:
Como foi o primeiro registro do crime
Contradições identificadas pela polícia
O que a esposa disse no depoimento
O que a filha disse no depoimento
O que o amante disse no depoimento
Dinâmica do crime, segundo a polícia
Defesa dos suspeitos
Como foi o primeiro registro do crime
Perícia realizada na casa do casal.
Reprodução
No início da madrugada de sábado, a Polícia Militar (PM-PR) foi acionada para atender a uma situação de disparo de arma de fogo. No local, constatou-se a morte de José e também o roubo do carro dele.
Valquíria relatou aos policiais militares que havia levantado da cama para beber água e, então, ouviu o disparo. Quando escutou o barulho, disse ter ido ao quintal para prender o cachorro e, ao voltar para casa, viu dois homens saindo com o carro.
A mulher também afirmou ter corrido para a rua para pedir ajuda, e os vizinhos que saíram para socorrê-la viram José baleado em cima da cama.
Por fim, a esposa disse que, além de cometerem o homicídio e roubarem o carro, os homens também teriam levado R$ 15 mil.
As portas e janelas da casa estavam abertas, mas Valquíria afirmou aos policiais que era um costume não trancá-las porque o bairro é tranquilo.
Contradições identificadas pela polícia
No inquérito, a polícia identificou diversas inconsistências nas declarações de Valquíria: depois de dizer ter visto os suspeitos fugindo, ela mudou o relato e falou não ter flagrado a ação; priorizou prender um cão no momento do crime; mudou a quantia de dinheiro roubada, de R$ 10 mil para R$ 15 mil.
Além disso, José estava acamado naquele dia, o que não era compatível com um roubo "barulhento" como o que foi narrado.
"Embora a capitulação inicial seja latrocínio, a dinâmica fática e o comportamento da testemunha sugerem a simulação de um crime patrimonial para encobrir uma execução", consta no documento.
O que a esposa disse no depoimento
Valquíria disse ao delegado Michel que foi casada com José por 28 anos, mas que tinha um relacionamento extraconjugal com Anderson há três anos.
Ela relatou ter sofrido privações ao longo da vida com o marido, como a proibição de visitar os pais. A última, segundo a mulher, foi a negativa dele para pagar um tratamento de Amanda. Por isso, planejou o crime durante um mês.
"No desespero, eu fiz o Anderson fazer isso [cometer o homicídio]. Isso não é justo", disse.
A mulher explicou que, no sábado, entregou a arma de José a Anderson, prendeu o cachorro e saiu da casa até que o crime fosse cometido. Ela também admitiu ter enviado uma mensagem para a filha, logo em seguida, dizendo: "Aconteceu".
O que a filha disse no depoimento
Em depoimento, Amanda confirmou saber que a mãe, Valquíria, tinha um relacionamento com Anderson. Ela também afirmou que o pai, José, era um homem controlador, violento e negava cuidados básicos às pessoas da família, como alimentação e tratamento de saúde.
"Ela [Valquíria] planejou com ele [Anderson]. Eu sabia. Não ajudei, mas eu sabia de tudo, ela falou para mim. E por dó das consequências que ela vivia, eu concordei. Mas eu não estava presente. Ela mesma falou para eu ficar em Londrina, para eu não voltar, para eu não ver, para eu não participar", relatou.
Conforme a descrição de Amanda, Valquíria deixou a porta de casa aberta, Anderson entrou, deu o tiro no idoso usando uma arma que a vítima tinha, pegou a carteira de José e levou o carro para "não ficar estranho". Não havia outras pessoas na casa.
A filha afirma ter pedido, anteriormente, para que a mãe não realizasse o crime, mas não a denunciou e não a impediu. Além disso, explicou que Valquíria foi movida pela urgência de encontrar dinheiro para o pagamento do tratamento para Amanda, que foi negado por José.
O que o amante disse no depoimento
Anderson disse que está em um relacionamento extraconjugal com Valquíria há seis meses e que os dois conversaram sobre ele parar de trabalhar quando ela ficasse viúva. Ele afirmou não conhecer Amanda, apenas saber que ela precisava de um tratamento de saúde.
Na versão apresentada pelo homem no depoimento, naquele sábado, Valquíria o encontrou na frente da casa e pediu para que ele apenas escondesse a arma e levasse o carro embora. Ele afirmou não ter entrado no imóvel e que não cometeu o homicídio.
Além disso, Anderson alega não ter conhecimento sobre o plano do assassinato.
Dinâmica do crime, segundo a polícia
Para a polícia, Valquíria iniciou o plano para assassinar José há um mês. Ela foi movida pela indignação de saber que o marido possuía dinheiro, mas não queria pagar o tratamento de saúde de Amanda, que é filha dos dois.
Para isso, pediu que Anderson realizasse o crime. No sábado, ela entregou o revólver ao amante e esperou o disparo.
"E a filha tinha conhecimento dos planos. Esses planos para matar a vítima já estavam perdurando há cerca de um mês", o delegado explicou.
Depois que Anderson fugiu com o carro, ele o abandonou em uma área de vegetação da cidade.
"Tá claro que o foco era tirar ele [José] de cena para ter acesso a esse dinheiro, para a menina fazer o tratamento e a mãe ser feliz para sempre com a amante", disse Araújo.
Defesa dos suspeitos
Os advogados Sivaldo Pires Bento e Bruno Cesar Carlota dos Santos disseram, em nota enviada à RPC, que acompanham o caso. Leia na íntegra:
"A defesa esclarece que as investigações acerca dos fatos ocorridos em Bandeirantes permanecem em curso, não sendo possível tratar como definitivas as conclusões apresentadas até o momento.
As declarações prestadas na fase policial, apresentadas como 'confissões' são expressamente questionadas pela defesa quanto à sua voluntariedade, diante das circunstâncias em que foram obtidas, incluindo a proibição de contactarem seus advogados, a forte pressão psicológica e privação de alimentação e água por aproximadamente 7 horas de interrogatório.
A própria manifestação do Ministério Público reconhece que tais circunstâncias ainda poderão ser melhor apuradas no decorrer da investigação.
Até o momento não há decisão judicial sobre o direito dos investigados responderem o processo em liberdade.
Seguiremos colaborando com a Justiça para o completo esclarecimento dos fatos, sem, contudo, abrir mão dos direitos e garantias fundamentais assegurados pela Constituição, especialmente o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência."
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